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- Artistas (List) | Remanso
ARTISTAS Kadu Ramos 2026 Programa de Concessão de Ateliê Participou da residência artística AJURICABA (2026, Colares–PA) e foi um dos selecionados para o projeto “Acompanhamento e Exposição” na Casa Musgo (2025, Porto Alegre–RS). Fez parte da mostra coletiva “Dedos Cruzados”, realizada na Casa de Cultura Mario Quintana (2025), assim como foi um dos artistas presentes na exposição “Um Lugar Como Nenhum Outro” (2025). Também participou do evento cultural “Canteiro de Obras #2”, produzido pelo Instituto Cultural Remanso (2025). Teve seu trabalho apresentado na Mostra Novembro Negro (2025), em exposição idealizada pelo MPF da 4ª Região, em Porto Alegre–RS. É graduando em Artes Visuais – Licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Saiba mais Mariana Mazzetti 2026 Programa de Concessão de Ateliê (Pelotas, RS, 1996) É artista visual multimídia. Em 2023 formou-se Bacharel em Artes Visuais pela UFPel, e é graduanda em Tecnologia em Design Gráfico pela Uninter. Entre 2023 e 2024 atuou como co-gestora e produziu em ateliê no espaço independente Relva Cultural. Com referências deslocadas do cinema, internet e da cultura pop, sua pesquisa busca refletir o impacto da imagem como dispositivo narrativo não-verbal, investigando sobre sua produção e consumo na contemporaneidade. Atualmente utiliza principalmente as linguagens da pintura, desenho, colagem e fotografia. Saiba mais Anita Araujo 2026 Programa de Pesquisa em Arte Contemporânea Anita Araujo é doutoranda do Programa de Pesquisa em Arte Contemporânea da Universidade do País Basco, Espanha. Mestre em Teatro e Artes da Performance pela Universidade Nacional de Artes, Argentina. Organiza o Festival aberto e independente de Performance e Arte Contemporânea na Sacada desde 2017. Saiba mais Catarina Dias 2025 Programa de Concessão de Ateliê Catarina Dias é nascida em São Paulo (1996), reside e trabalha atualmente em Porto Alegre. Atua como artista visual independente há 8 anos. Começou sua jornada fazendo cursos de teatro e dança como o curso Teatro de Fato em Guaíba (2016), participou em Porto Alegre do grupo Beckett-We (2018) e residências de danças contemporâneas do POA em cena (2018-2019). Em 2019 participou da sua primeira exposição chamada As Coisas que São Ditas Antes no espaço de arte e cultura Casa Baka, premiada no XIII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas na categoria Destaque em Exposição Coletiva. Em 2020 foi selecionada em 1º lugar no edital Espaço Ado Malagoli para sua primeira exposição individual no instituto de artes do RS (não sendo realizada por conta da Covid-19). Também em 2020 iniciou em conjunto uma galeria virtual chamada @lacunaprojeto fruto do edital FACdigital RS. Em 2022 foi contemplada pelo Edital Força e Luz – Energia Cultural 01/2022 para sua primeira exposição individual que foi executada no ano de 2023. Atualmente seu trabalho é voltado para a cerâmica, instalações e fotografia. Sua pesquisa se desdobra na ideia de pertencimento, memória e imaginário popular, falando sobre a criação artística através da precariedade e as suas possíveis denúncias através da arte. Saiba mais Mitti Mendonça 2025 Programa de Residência Artística Mitti Mendonça (São Leopoldo-RS, 1990) é artista têxtil, ilustradora, produtora cultural e arte-educadora. Sua produção na arte contemporânea investiga as historiografias negras em diáspora, as memórias afetivas a partir dos álbuns de família, os movimentos negros. Desta forma, elabora obras que refletem o afeto como lugar político, as práticas de resistência e a construção de identidades. É co-idealizadora da Feira Gráfica Garganta e da Residência Artística Garganta. E é criadora da Oficina Bordando Afetos. Cursou jornalismo e design, experiências que atravessam sua pesquisa e produção artística. Atualmente, mantém em Porto Alegre o Mão Negra Atelier, espaço de arte independente, loja e acervo de obras da artista. Assim como exposições em diálogo com artistas racializados e oficinas. Saiba mais Leandro Machado 2025 Programa de Residência Artística De Xangô e de Obá. Bacharelado em pintura UFRGS/POA/RS. Especialização em saúde mental ESP/POA/RS. Recentemente participou da mostra "Leandro Machado: hospícios e balneários [é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança]" no Museu de Arte do Rio Grande do Sul em 2025 e participa da Residência Artística do Programa Pública - Produção e Circulação de Arte Contemporânea organizado pela Remanso desde junho de 2025. Premiações: Prêmio AEERGS 2025 - categoria Destaque em ações de difusão. AEERGS, POA/RS/BR; VII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas - categoria Destaque ações de difusão e inovação. SMC de Porto Alegre, POA/RS/BR. Possui trabalhos nas seguintes coleções: Adriana Varejão; MACRS; MAR; MARGS; Paulo Sartori. Saiba mais Santiago Pooter 2025 Programa de Residência Artística Artista-pesquisador nascido em Porto Alegre (RS) em 1995, Santiago Pooter é mestrando em Artes Visuais (ênfase História, Teoria e Crítica de Arte) pelo Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais da UFRGS, na linha de pesquisa Relações Sistêmicas da Arte. Sua pesquisa e prática visual se concentram entre a imagem e a escrita, trabalhando a partir de diálogos entre a periferia, a 'alta cultura' e a cultura popular, buscando sempre tensionar as relações coloniais e seus processos de globalização provocados pelo capitalismo. Saiba mais Rafael Muniz 2025 Programa de Residência Artística Rafael Muniz (Porto Alegre, RS, 1991) é umbandista-artista-pesquisador, Doutorando e Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Bacharel em Artes Visuais pela mesma instituição. É integrante do grupo de pesquisa Poéticas da Participação. Possui formação no curso Técnico em Edificações pelo Centro Tecnológico Estadual Parobé. Trabalha como desenhista, projetista, montador de exposições e instrutor de arte pelo Studio Muniz. Tem interesse em antropologia, etnografia e epistemologias de religiões de matrizes africanas no Brasil para pensar seu cruzamento com o campo da arte. Sua poética articula a linguagem presente nas Umbandas, Quimbandas e na construção civil em procedimentos como fotografia, desenho, vídeo e instalação. Participou de exposições individuais e coletivas, nacionais e internacionais, da Zero Residência Artística em Pelotas (2024), contemplado no edital Multilinguagens Paulo Gustavo (2023), I e II Salão Costa Doce (2021 e 2022), Itaú Cultural Arte como Respiro (2020) e ganhador do Prêmio Maria Conceição Menegassi (2014). Saiba mais Laura Moreira 2025 Programa de Concessão de Ateliê Laura Moreira (Rio de Janeiro, 1993) é artista visual e educadora, graduada em Letras pela UFRGS e atuante em Porto Alegre (RS). Em seu trabalho, está interessada no encontro entre artes visuais, ciências e artes do corpo. Integrou o Coletivo Vôo da Pomba: laboratório de experimentação de performance e dança nas cidades. Participou das residências artísticas do FestFoto Poa (2019), e LAB Arte-Educação (2023). Integrou o “Formas de la Idea”, grupo de estudos virtual de artistas e publicadores independentes da América Latina que promoveu, em 2021, uma exposição de mesmo nome, no Museo Nacional del Grabado (Buenos Aires, AR). Participou de diversas exposições coletivas. Em 2024, idealizou e produziu o projeto de arte-educação Corpo-significante. Saiba mais Sammy Duarte 2025 Programa de Pesquisa em Arte Contemporânea (1994, Canela, RS) é artista visual baseada em Porto Alegre e graduanda em Artes Visuais pela UFRGS, onde desde 2024 desenvolve pesquisa sobre Arte Processual no Pós-minimalismo como bolsista de Iniciação Científica. Saiba mais zarro 2024 Programa de Concessão de Ateliê zarro (1987, Viamão, RS, BR) é uma artista afro-latino-americana que atualmente estuda e trabalha em Porto Alegre (RS). É mestranda no Programa de Pós-Graduação em Poéticas Visuais da UFRGS e, desde 2023, é uma das artistas participantes do Programa de Concessão de Ateliê no Remanso - Instituto Cultural. É Bacharel em Artes Visuais pela UFRGS (2022) e licenciada pela mesma instituição em Ciências Biológicas. Complementarmente, atuou junto à rede pública de educação, onde foi professora do ensino fundamental e médio. O início da pandemia ocasionou um momento de reclusão e inflexão em sua trajetória artística, quando passou a produzir num ritmo obstinado, motivada por sua imaginação e mesclando diferentes técnicas em seu processo poético. Coleciona e reúne imagens, fragmentos, vestígios, que servem de testemunhos da vida humana que avança sobre territórios, destacando a simbiose entre sociedade e natureza, memória e trauma. Saiba mais Virgínia Di Lauro 2024 Programa de Concessão de Ateliê, Programa de Residência Artística Virgínia Di Lauro (1989, Barra do Choça, BA) é artista visual, graduanda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e reside em Porto Alegre (RS) desde 2012. Em sua obra, cruzoa diferentes linguagens e técnicas como caminho de experimentações, composições e possibilidades, como interferências fotográficas, digitais e manuais, pintura, performance, vídeo e a feitura de objetos-coisas-máscaras. Desdobra seu trabalho entrecruzando realidade-ficção, através do onírico, da imaginação, dos acontecimentos e afecções cotidianas, natureza e emoções humanas. A partir daí, tece fios condutores possíveis de criação e encantaria, utilizando sobretudo o corpo e o feminino, variando entre suporte e temática como fonte geradora de outros corpos, atmosferas, livusias, mutações e modificações. Caminha por onde questiona as normas estabelecidas sobre o corpo e nossas relações com a vida na contemporaneidade assolada pelo capitalismo e moralismos patriarcais que distorcem nossos sentidos, nos descolando e distanciando das múltiplas possibilidades de tecer bem-viver e sonhar outras imagens capazes de atravessar os desastres iminentes de outras maneiras. Saiba mais Henrique Pasqual 2023 Programa de Residência Artística Henrique Pasqual (1990, Porto Alegre, RS) é artista, arte educador e técnico em Xilogravura. Em sua pesquisa aborda questões cerca da criação e legitimação de sentidos dentro da cultura visual, explorando a contradição como vetor formal e traçando um paralelo entre os processos de ensino institucionalizados e suas vivências na periferia de Porto Alegre. Nesse processo as contradições formais do trabalho atuam como catalizadores para pensar as contradições e os “não lugares” sociais, questionando o papel das instituições na legitimação destes processos. Trabalhou como técnico junto ao artista Paulo Chimendes nas oficinas gráficas do Museu do Trabalho em Porto Alegre, a produção em gravura exerce forte influência no trabalho do artista, o qual também explora processos híbridos e técnicas como vídeo, performance e instalação. Saiba mais
- Exposições (List) | Remanso
EXPOSIÇÕES Inventário de cavalos Período Curadoria Guilherme Bruschi 9 de out. de 2026 12 de dez. de 2026 Existe na união dos trabalhos que aqui se apresentam um inventário de cavalos – no plural, porque cavalo pode ser muita coisa. Um símbolo de liberdade, desde pelo menos a era de ouro do Império Persa. Um ser intempestivo, desde que cavalo virou sinônimo de quem fala dando coice. Saiba + Janela Remanso #3 Período Curadoria Remanso 23 de set. de 2026 19 de nov. de 2026 O projeto Janela Remanso tem como objetivo dar visibilidade a trabalhos de artistas em início de trajetória em uma proposta facilitada de exposição. Saiba + Torção - Exposição Individual de Laura Moreira Período Curadoria Adauany Zimovski 31 de jul. de 2026 26 de set. de 2026 Reunindo obras produzidas majoritariamente a partir de 2025, a mostra ocupa integralmente o espaço expositivo por meio de instalações, vídeos, objetos, gravuras e trabalhos participativos que investigam o encontro entre corpo, matéria e movimento. Saiba + Janela Remanso #2 Período Curadoria Remanso 8 de jul. de 2026 1 de set. de 2026 O projeto Janela Remanso tem como objetivo dar visibilidade a trabalhos de artistas em início de trajetória em uma proposta facilitada de exposição. Saiba + Formas do Invisível - Individual de Catarina Dias Período Curadoria Marina Câmara 22 de mai. de 2026 18 de jul. de 2026 Catarina elaborou poeticamente suas vivências, criando um conjunto de obras que são armas simbólicas e literais, das quais ela vem se munindo para se afirmar enquanto artista visual ao longo desse tempo, esses sete anos. Saiba + Janela Remanso #1 Período Curadoria Remanso 24 de abr. de 2026 15 de jun. de 2026 O projeto Janela Remanso tem como objetivo dar visibilidade a trabalhos de artistas em início de trajetória em uma proposta facilitada de exposição. Saiba + Canteiro de Obras #3 Período Curadoria Guilherme Mautone, Guilherme Leon e Nazú Ramos 13 de mar. de 2026 14 de mar. de 2026 Por que não pensar este jardim tambem como um espaço onde a arte possa emergir, subsistir, mostrar-se, ser vivida, performada e debatida? Por que não um canteiro de onde, também, brotassem obras? Saiba + Antes que a distância não exista mais Período Curadoria Kelly Wendt 6 de mar. de 2026 9 de mai. de 2026 Cruzar fronteiras, adentrar campos, orientar-se e desorientar-se no vai e vem ao atravessar o sul do Rio Grande do Sul. Saiba + Arte Leve Período Curadoria Érica Burini 24 de jan. de 2026 21 de fev. de 2026 O projeto foi concebido em 2024 na Casa Yara DW em São Paulo como uma chamada aberta que convida artistas de todo o Brasil a mandarem portfólios e indicarem obras de peso e medidas reduzidas para poderem assim viajar mais facilmente pelo correio. Saiba + FORJA Período Curadoria Aisha Costa e Pietro Ferreira 10 de out. de 2025 6 de dez. de 2025 Forja aborda a negritude por meio de expressões artísticas pretas na cidade de Porto Alegre. O título alude ao ato de 'forjar' a partir de Ogum, divindade de matriz africana com domínio sobre o ferro. São pensadas diferentes formas de celebrar as respostas diante do racismo e das violências sociais. Saiba + Topografia dos Encontros Período Curadoria Anelise De Carl 1 de ago. de 2025 27 de set. de 2025 A exposição Topografia dos encontros, de zarro, articula pintura, colagem e arquivos históricos para reelaborar memórias e traumas políticos, transformando vestígios do passado e cenas de coletividade em potentes rituais de cura e afirmação do comum. Saiba + Canteiro de Obras #2 Período Curadoria Guilherme Mautone, Guilherme Leon e Nazú Ramos 13 de jun. de 2025 14 de jun. de 2025 A mostra Canteiro de Obras #2 consolida o jardim como território de experimentação efêmera, apresentando obras processuais e interativas que, sem a rigidez de um eixo narrativo, brotam e surpreendem o público como fenômenos naturais de um ecossistema artístico. Saiba + Estado de Livusia Período Curadoria Gabriela Motta 22 de mai. de 2025 17 de jul. de 2025 A exposição Livusia, da artista Virginia Di Lauro, utiliza a hibridez entre fotografia, pintura e performance para investigar a fusão entre o corpo feminino e a natureza, criando imagens oníricas e insubmissas que buscam inventar novos mundos diante das ruínas da contemporaneidade. Saiba + A força inercial do hábito Período Curadoria Guilherme Mautone 14 de mar. de 2025 10 de mai. de 2025 Inspirada pelo preceito de Maria Gabriela Llansol, a exposição propõe abrir a casa numa interrogação, utilizando a arte para romper com a inércia do hábito e questionar os estereótipos históricos e filosóficos que relegam o espaço doméstico ao desinteresse epistemológico. Saiba + Anotações à margem Período Curadoria Sátira Machado e Caroline Ferreira 1 de nov. de 2024 22 de fev. de 2025 A exposição Anotações à Margem celebra o legado de Oliveira Silveira e o Dia da Consciência Negra, estabelecendo um diálogo visual entre a poesia do autor e obras de diversos artistas para refletir sobre a resistência e a liberdade afrodiaspórica. Saiba + Gesto Período Curadoria Marina Câmara, Marcela Futuro, Sammy Duarte, Ali do Espírito Santo 5 de jul. de 2024 26 de out. de 2024 A exposição Gesto explora a performance como um campo híbrido e histórico que corporifica o pensamento crítico, organizando-se em núcleos que transitam entre o erotismo, o trabalho e a política para destacar a coragem do artista que se torna a própria obra. Saiba + Mão de Obra? Período Curadoria Izis Abreu, Guilherme Mautone 15 de mar. de 2024 21 de jun. de 2024 A exposição coletiva Mão de obra? reuniu artistas contemporâneos no Remanso para promover uma reflexão crítica sobre a ubiquidade do trabalho e as estruturas de opressão social, integrando mediação educativa e a presença itinerante da Biblioteca da Vila. Saiba + Canteiro de Obras #1 Período Curadoria Guilherme Mautone, Guilherme Leon e Caroline Ferreira 13 de mar. de 2024 14 de mar. de 2024 A exposição Canteiro de Obras #1 ressignifica o jardim da Remanso como um espaço de experimentação coletiva, apresentando, em formato de curta duração, propostas artísticas performáticas e colaborativas que transformam a desordem da reforma em potência criativa. Saiba +
- Estado de Livusia | Remanso
Estado de Livusia CURADORIA Gabriela Motta INÍCIO 22 de maio de 2025 FIM 17 de julho de 2025 E foram virando peixes, Virando conchas, Virando seixos, Virando areia, Prateada areia, Com lua cheia, E à beira-mar Chico Buarque, Mar e Lua, 1980. Interpretada por Cida Moreira. As cabeças e os olhos cerrados. As cavernas, as pedras e as entranhas do corpo. Galhos, folhas e raízes. Tripas, seios e líquidos. As imagens fotográficas laceradas e as figuras femininas. Tudo é corpo; ou melhor, corpa e, enquanto corpa, respira, sangra e produz calor. Diante das imagens concebidas por Virginia Di Lauro, o afã em nomear os signos, os traços ali presentes, vem acompanhado da ânsia em perceber a insuficiência do procedimento. Cada imagem se transforma em uma vertigem, um rastro de por onde a mente da artista vagueia na busca por formas, fusões, decomposições, atravessamentos, capazes de elaborar um sentido diante da ruína de nosso tempo. Vivemos a falência de projetos utópicos alicerçados em exploração de recursos humanos, naturais, espaciais e a urgência de imagens menos efêmeras para dar conta desses processos, imagens que nos proponham a invenção de mundos novos. Deter-se diante da imagem, extirpá-la, conhecer as linhas das figuras, multiplicar alquimicamente um sujeito, aumentar-lhe o pescoço, assomar matéria ao corpo da imagem, experimentar o gosto do ferro, lamber a chuva, pisar a terra com os pés descalços, repetir a própria face até estranhar-se, até revelar-se infinita. Esses procedimentos aparecem nas fotografias, objetos, vídeos, pinturas, produzidas por Virgínia para tecer histórias visuais nas quais figuras femininas protagonizam narrativas em ebulição. Viver na sua intensidade é tenso, ela parece nos dizer. Reconhecer-se parte e não aparte do mundo faz do mundo a própria carne. Cenas noturnas, florestas, cavernas, fossos, grutas, abismos, são as circunstâncias em que estas personagens se encontram, transformando-se, por vezes, elas mesmas em estruturas arquitetônicas. No caso dos trabalhos em fotografia, por exemplo, Virginia parte quase sempre de imagens de seu próprio corpo (autorretratos, poderíamos dizer?) para, através da manipulação das imagens e de interferências sobre o papel, sugerir a materialização da massa informe do delírio, dos sonhos, dos medos e desejos que nos constituem. Pesadelos ainda são sonhos, ambientes que nos habitam, desalinhando as costuras dos dias em outras tramas. Nesse processo de construção de mundos, os títulos das obras participam da elaboração de sentidos dos trabalhos, reverberando em texto a atmosfera das imagens. “Olhando o céu ruir, atravessando o medo”; “Escuta, algo cresce na atmosfera estranha dos tempos”; “Também no caos, escutava, gestava, crescia”; “Viver era uma ferida aberta” são alguns desses nomes misteriosamente literários que abraçam as imagens. Em uma dessas fotografias, “Sob o céu de maio”, três figuras femininas sentadas em círculo, parecem sustentar com as cabeças a parte superior da imagem. Uma espécie de coluna vertebral externa estrutura cada figura, como raízes a crescer para fora da terra. Fios delicados conectam olhos e bocas dessa(s) mulher(es), cujos braços repousam ora no colo, ora ao lado do corpo. O repouso não é relaxamento, mas constância na missão de suspender o céu. Reminiscências da enchente encharcam a lembrança dessa vivência, mas – como diria Manoel de Barros – chovendo no futuro. A Livusia que dá nome à exposição é daquelas palavras insubstituíveis. Confusão? Perigo? Agitação? Bagunça? Fantasma? Tudo junto? – não há sinônimo suficiente, pois só ela mesma abraça seus sentidos, inclusive pelo som que produz, pelo assovio que habita o encontro de suas letras finais, pela lisura da palavra que corre na boca feito cobra no sertão. Virginia Di Lauro incorpora em sua poética a livusia da existência, nos oferecendo em imagens um possível porvir alucinadamente individual e utopicamente coletivo. Gabriela Motta TEXTO DA ARTISTA Sou de Barra do Choça, interior da Bahia. De uma região conhecida como sertão da ressaca. Essa é a terra que brotou meu corpo de vida. Cresci escutando estórias de mistérios, assombrações, encantarias, sempre ao redor de muitas mulheres. Uma delas, Dona Clara, com mais de cem anos, contava-me do tempo dentro de uma bacia d'água. Tudo isso – e mais um tanto – inscreveu-se em mim, desde a infância. Construía-se em mim, assim, meu imaginário; e, acredito, que também o de muitos tantos daquela nossa cidade e região. Primeiro a escuta, a presença, a curiosidade e a imaginação brotando a infância. Depois, veio a palavra nos livros das bibliotecas de escola, a poesia apresentada por minha mãe, os desenhos nos versos das impressões de provas escolares. De minha vó, veio a relação com as linhas e os nós, as manualidades, o plantar na terra, as brincadeiras que fazíamos com as sombras das mãos sobre a parede sempre que ficávamos sem energia. Daí veio também a costura, o hábito de contar os sonhos dormidos pela manhã, seus ensinamentos de olhar o céu, a natureza, caminhar sobre pedras escorregadias. E, talvez o mais importante: o pisar devagar. Das mulheres aprendi a estar viva. E a construir caminhos. Mas não só; embora tudo que com elas aprendi não caberia numa estrofe. Meu trabalho artístico é atravessado, afetado, por todo esse antes que me acompanha presente até hoje, onde a realidade se entrecruza na ficção. Através do onírico, da imaginação, dos acontecimentos e afecções cotidianas, do espantoso da natureza e das nossas emoções humanas. A partir daí, teço possíveis de criação e encantaria. Em meu trabalho, emprego, sobretudo, o corpo e o feminino, que variam entre suporte e temática. Embora sempre como fonte geradora de outros corpos, atmosferas, livusias, mutações e modificações. Por estes caminhos, questiono ao meu modo as normas estabelecidas sobre o corpo e sobre nossas relações com a vida na contemporaneidade, assolada pelo capitalismo e pelos moralismos patriarcais que distorcem nossos sentidos, descolando-nos e distanciando-nos das múltiplas possibilidades de tecer o bem-viver e de sonhar outras imagens que nos permitam atravessar os desastres iminentes. Nas minhas imagens – seja por meio da pintura, do desenho, da fotografia ou do vídeo – tateio atmosferas onde o corpo, sobretudo da mulher, pode apenas ser e estar. Seja entre ou seja fundida aos elementos da natureza; ou aos que sugerem tais elementos, ou numa situação caótica, erótica, estranha, inquietante, assombrosa. Ou, então, solitária, de descanso, onde o corpo flutua. Mas também num fundo longe e escuro: vazio. O corpo, em minhas imagens, pode atravessar o terror, a violência, o desastre, mas também dançar no caos, relacionando-se com o estranho que é ser o que ele é, um corpo, entre a vida e a morte, modificando-se, podendo ser muito, sem receios. Meu processo artístico se dá no encontro de possibilidades que a matéria, o corpo, o espaço físico e o digital me apresentam. Meu trabalho é, em todos os sentidos, insubmisso e insurgente. Cruzo diferentes linguagens, técnicas e processos artísticos como um caminho de experimentação e de liberdade, de composições e de possibilidades. Nele, invoco interferências fotográficas, digitais e manuais nas imagens; trabalho com a pintura, a performance, o vídeo, a palavra e a construção do que chamo de objetos-coisas-máscaras. As interferências fotográficas acontecem no depois do ato fotográfico ou do registro da performance, da cena. É todo antes que me guia quando a imagem está impressa. A fotografia em meu processo é um ponto de encontro dos outros meios que utilizo. Ela, para mim, afeta e é afetada pelos objetos-coisas-máscaras, pela pintura e pelo desenho, pelo vídeo, pela palavra e vice-versa. Todos estes processos e práticas artísticas vão construindo tessituras que se atravessam, seja no corpo da matéria, no ato, ou subjetivamente, movendo a poética de minha pesquisa e produção. Virginia Di Lauro ARTISTAS Virgínia Di Lauro
- Canteiro de Obras #1 | Remanso
Canteiro de Obras #1 CURADORIA Guilherme Mautone, Guilherme Leon e Caroline Ferreira INÍCIO 13 de março de 2024 FIM 14 de março de 2024 Quando Elida Tessler, artista contemporânea gaúcha, visitou pela primeira vez a Remanso ainda em seus estágios intermediários de revitalização e reforma, ao ser apresentada ao jardim do instituto como um literal "canteiro de obras" -como se estivesse sendo avisada para tomar cuidado ou como se estivessem pedindo para que fosse leniente com a eventual bagunça de uma casa ainda em reforma - ela prontamente parou, fitou o jardim e repetiu com calma, fazendo uma escanssão: "canteiro de obras". Essa repetição - típica das sessões de análise, em que um analista devolve ao analisando o seu próprio discurso de modo a convidá-lo para refletir sobre o dito - surtiu o efeito talvez intencionado por Tessler. Por que não pensar naquele jardim também como um espaço no qual a arte pudesse emergir, subsistir, ser mostrada, vivida, debatida? Por que não transformar aquela desordem literal numa oportunidade para o surgimento da arte, sua inauguração? Por que não um canteiro de onde, também, brotassem obras? Habitada pela interrogação proposta por Tessler meses antes de março de 2024, a equipe da Remanso, na oportunidade de inauguração do instituto, colocou-se a pensar, conceber e planejar uma espécie de exposição distinta das demais: em formato, em temática, em conceito, em curadoria, mas em diálogo com aquele momento inaugural e com um espaço muito singular - o jardim. O jardim - longe da expectativa rococoizante - como um espaço de experimentação, de expectativa, de investimento de desejo. O jardim como lugar de se estar junto, fazer junto. Partindo dessa origem e das muitas interrogações que ela suscitou desde então, é que Canteiro de Obras #1 surge como uma proposta expositiva temporária, de curta duração, marcada por obras de caráter performático, colaborativo ou que evidenciem as instruções, o seguir regras ou o faça-você-mesmo como motor artístico. Com curadoria de Guilherme Mautone, Guilherme Leon e Caroline Ferreira, a primeira edição de Canteiro de Obras apresentou durante 2 dias, em horários alternados, um conjunto de propostas artísticas que ocuparam o jardim e, aliás, parte do restante da casa, preenchendo-a com arte contemporânea. Guilherme Mautone ARTISTAS Ecomuseu Urbano, Coletivo infraordinaries, Janaína Ferrari, Beirada, Marina Rombaldi, Coletivo No Coração da Agulha
- Remanso
Redirecionando, aguarde.
- Remanso
Redirecionando, aguarde.
- Remanso
Redirecionando, aguarde.
- APROXIMAÇÃO | Remanso
Visitas Mediadas
- Mariana Mazzetti | Remanso
Mariana Mazzetti 2026 Programa de Concessão de Ateliê (Pelotas, RS, 1996) É artista visual multimídia. Em 2023 formou-se Bacharel em Artes Visuais pela UFPel, e é graduanda em Tecnologia em Design Gráfico pela Uninter. Entre 2023 e 2024 atuou como co-gestora e produziu em ateliê no espaço independente Relva Cultural. Com referências deslocadas do cinema, internet e da cultura pop, sua pesquisa busca refletir o impacto da imagem como dispositivo narrativo não-verbal, investigando sobre sua produção e consumo na contemporaneidade. Atualmente utiliza principalmente as linguagens da pintura, desenho, colagem e fotografia. Texto (entrega final do PPAC) Instagram Site pessoal Portfólio
- Audiodescrições PÚBLICA | Remanso
Audiodescrição da obra A Fenda de Mitti Mendonça Audiodescrição da obra A Fenda 00:00 / 02:21 Audiodescrição da obra rÈmanSÙ Instituto Cultural: duas ponteiras de Rafael Muniz Audiodescrição da obra rÉmanSÙ instituto cultural: duas ponteiras 00:00 / 01:37 Audiodescrição da obra Meu reino não é deste mundo (capital simbólico) de Santiago Pooter Audiodescrição da obra Meu reino não é deste mundo (capital simbólico) 00:00 / 01:37 Programa de Residência Artística > INCENTIVO À PRODUÇÃO ARTÍSTICA CONTEMPORÂNEA > AMPLIAÇÃO DO ACESSO AOS ESPAÇOS DE PRODUÇÃO DE ARTE > POPULARIZAÇÃO DAS TRAJETÓRIAS ARTÍSTICAS Organizado por convite institucional (Diretoria Cultural) ou por chamada pública regulada por edital, o programa envolve a realização de projetos artísticos pontuais no contexto da Remanso. Com duração de 1 mês, prorrogável por mais 1 mês, o programa conta com a cedência de espaços para a realização do projeto, bolsa de fomento à produção de arte, auxílio estadia e deslocamento, ajuda de custo para a compra de materiais e insumos artísticos e vale transporte. Artistas selecionades também podem participar de atividades organizadas pela Remanso de modo inteiramente gratuito, usufruindo de oportunidades de formação, circulação de arte e dos encontros que proporcionamos entre agentes do campo da arte.
- Sammy Duarte | Remanso
Sammy Duarte 2025 Programa de Pesquisa em Arte Contemporânea (1994, Canela, RS) é artista visual baseada em Porto Alegre e graduanda em Artes Visuais pela UFRGS, onde desde 2024 desenvolve pesquisa sobre Arte Processual no Pós-minimalismo como bolsista de Iniciação Científica. Texto (entrega final do PPAC) Instagram Site pessoal Portfólio




