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- Remanso
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- Topografia dos Encontros | Remanso
Topografia dos Encontros CURADORIA Anelise De Carl INÍCIO 1 de agosto de 2025 FIM 27 de setembro de 2025 Entre os gestos vivazes de um artista vibrante como zarro, há um gesto de cuidado. Seus trabalhos cuidam das imagens que insistem, dos fragmentos que sobrevivem, do passado que não passou bem. Em sua primeira exposição individual, apresenta-se um conjunto de obras desenvolvidas ao longo do último ano, em parte durante sua residência no Programa de Concessão de Ateliê do Remanso - Instituto Cultural e, posteriormente, em continuidade nos espaços da Associação de Pesquisas e Práticas em Humanidades (APPH). Recentemente agraciada com o Prêmio de Aquisição do Salão de Artes Visuais da Câmara Municipal de Porto Alegre, zarro tem cultivado sua poética através da articulação de diferentes linguagens – pintura, colagem e coleta –, propondo formas de percepção e reelaboração de memórias históricas, traumas políticos e práticas de convivência. Em Topografia dos encontros, os trabalhos elaboram composições do comum. A mostra se organiza em três núcleos, cada um tocando aquilo que, embora pareça distante, ainda pulsa: imagens que voltam, espaços que abrem, corpos que reaparecem. O primeiro núcleo parte de uma pesquisa em arquivos: fotografias de imprensa do período ditatorial brasileiro; e o inesperado arquivo de vestígios encontrado pela artista na orla do Guaíba, em Porto Alegre, documentando os resquícios das antigas habitações ribeirinhas, quer sejam de uma margem ou outra do rio. zarro reapresenta essas imagens como quem quer reaprender a vê-las: por meio do recorte, da montagem, da pintura e da colagem, desestabilizando as narrativas oficiais e revelando o que ficou fora de quadro, assim dando corpo ao que o enquadramento original quis apagar. Adentrando no segundo núcleo, encontramos telas da série Ebó de bar, onde a artista recria um espaço democrático de elaboração coletiva. Tomando o bar como lugar de reencontro popular, onde se compartilha dor e alegria, zarro nos oferece cenas que carregam uma trilha sonora própria e estão povoadas de promessas: cadeiras e camadas potenciais de pessoas em campos de cor vibrantes, à espera de alguém ou de algo – um corpo, uma conversa, um gesto de cura. O bar, aqui, é rito e abrigo. É oferenda cotidiana e lugar possível de reparação. No terceiro e último núcleo, a série Multidões apresenta os trabalhos mais recentes da artista, onde imagens quase abstratas dão corpo a grupos de pessoas reunidas em cenas de festas, celebrações e manifestações. Pintar a multidão é uma afirmação da potência do estar junto: da vibração dos corpos e da força do coletivo. As obras capturam não só a forma, mas a energia do calor dos encontros – aquilo que escapa à imagem e, ainda assim, permanece nela. Entre reapropriações, rituais e comunhões, a exposição constroi um caminho que é também um retorno – não ao passado em busca de nostalgia, mas a ele como matéria viva que pode, pela arte, ganhar outras formas, outros nomes, outros futuros. Anelise De Carli ARTISTAS zarro
- Virgínia Di Lauro | Remanso
Virgínia Di Lauro 2024 Programa de Concessão de Ateliê, Programa de Residência Artística Virgínia Di Lauro (1989, Barra do Choça, BA) é artista visual, graduanda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e reside em Porto Alegre (RS) desde 2012. Em sua obra, cruzoa diferentes linguagens e técnicas como caminho de experimentações, composições e possibilidades, como interferências fotográficas, digitais e manuais, pintura, performance, vídeo e a feitura de objetos-coisas-máscaras. Desdobra seu trabalho entrecruzando realidade-ficção, através do onírico, da imaginação, dos acontecimentos e afecções cotidianas, natureza e emoções humanas. A partir daí, tece fios condutores possíveis de criação e encantaria, utilizando sobretudo o corpo e o feminino, variando entre suporte e temática como fonte geradora de outros corpos, atmosferas, livusias, mutações e modificações. Caminha por onde questiona as normas estabelecidas sobre o corpo e nossas relações com a vida na contemporaneidade assolada pelo capitalismo e moralismos patriarcais que distorcem nossos sentidos, nos descolando e distanciando das múltiplas possibilidades de tecer bem-viver e sonhar outras imagens capazes de atravessar os desastres iminentes de outras maneiras. Texto (entrega final do PPAC) Instagram Site pessoal Portfólio
- EXPOSIÇÃO ANOTAÇÕES À MARGEM | Remanso
ANOTAÇÕES À MARGEM FICHA TÉCNICA CURADORIA Caroline Ferreira & Sátira Machado ARTISTAS Américo, Cristina Rosa, Crystom Afronário, Estêvão da Fontoura, Maria Lídia Magliani, Oliveira Silveira, Pâmela Zorn, Thiago Madruga, Wagner Mello. APRESENTAÇÃO À margem repousa o remanso, onde as areias acolhem os rabiscos das águas. E a curva de remanso lembra o caminho percorrido pelas introvisões de Oliveira Silveira, transmutadas em anotações poéticas. São notas cansadas de remar contra a correnteza. Mas conscientes – pela “adaga” e pela “degola” – da existência de fissuras criadoras e capazes de direcionar para enseadas de vida de muitas oliveiras. Em algum Dia da Consciência Negra as almas das notas serão livres ao encontrar um remanso seguro. Aportadas em águas vívidas, as anotações encontrarão infinitas margens. OXALÁ, que aconteça! Em oferenda, a Remanso – Instituto Cultural, o Instituto Oliveira Silveira e demais parcerias presenteiam o público com a exposição Anotações à Margem, que dá título a um dos livros de poesia de Oliveira Ferreira da Silveira (1941-2009) escritos ao longo de quase três décadas (1967-1994). O diálogo imagético com o poeta da consciência negra envolve os artistas Américo Souza, Cristina Rosa, Crystom Afronário, Estêvão da Fontoura, Maria Lídia Magliani, Pâmela Zorn, Thiago Madruga e Wagner Mello. Seguindo os passos de Oliveira da Silveira, reverenciamos o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. De forma original e inédita, pela primeira vez o 20 de novembro foi evocado pelo Grupo Palmares de Porto Alegre, em 1971. Especialmente em 2024, a data passa a ser feriado em todo Brasil através da Lei Federal 14.759/2023, em um reconhecimento do legado das populações e culturas afrodiaspóricas presentes no país. Texto de Sátira Machado & Caroline Ferreira PERÍODO DE EXPOSIÇÃO 01.11.2024 - 22.02.2025 REALIZAÇÃO Remanso - Instituto Cultural APOIO Instituto Oliveira Silveira Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS Centro de Memória da Educação da Faculdade de Educação da UFRGS Universidade Federal do Pampa - Unipampa Grupo de pesquisa Cria Negra CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA Classificação indicativa Livre LISTA DE OBRAS AMÉRICO SOUZA (Porto Alegre, RS, 1935) Troféu Zumbi, 1999. Cedro, 36 x 19 x 8 cm. Acervo Instituto Oliveira Silveira. CRISTINA ROSA (Porto Alegre, RS, 1993) Cotidiano, 2017. Vídeo, 3 min 42 seg. Acervo da artista. CRISTINA ROSA (Porto Alegre, RS, 1993). As excluídas da copa - mulheres na luta por direitos, 2014. Vídeo, 10 min e 24 seg. Acervo da artista. CRYSTOM AFRONARIO (Morro da Cruz, Porto Alegre, RS, 2000). Série Tem Preto no Sul, 2023: Irmandade, 2023. Fotografia, 60 x 90 cm; Antonya Brilha, 2024. Fotografia, 90 x 60 cm; Thifani Cuida, 2024. Fotografia, 60 x 90 cm. Acervo do artista. ESTÊVÃO DA FONTOURA (Porto Alegre, RS, 1977). Oferta - Quadro Negro 2, 2024. Giz líquido branco quadro negro em cavalete, 99 x 60 x 50 cm. Acervo do artista. ESTÊVÃO DA FONTOURA (Porto Alegre, RS, 1977). Registro do trabalho Quadro Negro (2014), 2015. Fotografia, 29 x 19 cm. Acervo do artista. Foto de Giuliano Lucas. MARIA LÍDIA MAGLIANI (Pelotas, RS, 1946 – Rio de Janeiro, RJ, 2012). Sem título, s.d.. Matriz de xilogravura, 24 x 10 x 2,5 cm. Acervo do Instituto Oliveira Silveira. PAMELA ZORN (Três Coroas, RS, 1998). O que parece óbvio para alguns não é para mim, 2024. Acrílica sobre tela, 70 x 70 cm. Acervo da artista. THIAGO MADRUGA (Rio Grande, RS, 1989). Lanceiros Negros, 2015. Lambe lambe, 185 x 55 cm. Acervo do artista. THIAGO MADRUGA (Rio Grande, RS, 1989). Afrogauchismo em cartaz, 2024. Vídeo, 2 min e 59 seg. Acervo do artista. WAGNER MELLO (Porto Alegre, RS, 1980). Série Afluentes: André - Rio, 2024. Impressão digital em tecido, 90 x 67 cm; Olimar - Mar, 2024. Impressão digital em tecido, 90 x 67 cm; Paulo - Oceano, 2024. Impressão digital em tecido, 90 x 67 cm. Acervo do Artista. ENTREVISTA DAS CURADORAS NO PROGARMA MOSAICO RS PROGRAMA PÚBLICO Ao longo da duração da mostra, foram realizadas duas atividades de ativação expositiva, gratuitas para o público. > 08 de fevereiro de 2025 | Escritas d'água , com Wagner Mello > 22 de fevereiro de 2025 | Dez anos de quadro negro , com Estêvão da Fontoura
- salas | Remanso
Salas disponíveis para alguel no Remanso Instituto Cultural Precisa de um espaço para realizar a sua atividade? Alguns de nossos espaços estão disponíveis para aluguel. A contribuição pelo uso das nossas salas ajuda na manutenção dos nossos espaços físicos, abertos ao público, bem como apoia o trabalho de artistas vivas, vives, vivos. Para mais informações entre em vontato via e-mail: contato@remanso.org.br Informe no seu contato: Tipo de atividade (breve súmula) Número de pessoas Data e horário Sala tuco-tuco Localizada no 3º pavimento da Remanso Sala de 21m², em formato quadrado, com porta de acesso com tranca Sacada Aparador de apoio, 25 cadeiras estofadas, 1 poltrona, cortinas Sistema de projeção e sonorização Iluminação geral, 1 abajur e tomadas Ar condicionado Piso de tacos de madeira Forro de gesso Sala quero-quero Localizada no 3º pavimento da Remanso Sala de 15m², em formato retangular, com porta de acesso com tranca. 2 aparadores grandes que se transformam em mesa de trabalho coletiva, 15 cadeiras estofadas, 1 poltrona, cortinas Iluminação geral, 1 abajur e tomadas Ar condicionado Piso de tacos de madeira Forro de gesso Auditório Localizado no 2º pavimento da Remanso Uma sala de 38m², em formato retangular, com portas de acesso e trancas Acesso pelo Espaço Expositivo ou pelo Jardim (subida da rampa) Aparador de apoio, 35 cadeiras estofadas, duas poltronas e sistema de cortinas ao redor da sala Sistema de iluminação, sonorização, tomadas Ar condicionado Piso vinílico Copa coletiva A Remanso conta com uma copa coletiva no 3º andar. Nela você encontrará utensílios de uso comum e alguns insumos Conforme usar, procure manter o espaço limpo e organizado Ao utilizar o frigobar para alocar alimentos, procure identificá-los Evite desperdiçar água, sobretudo neste momento Jardim Espaço vasto para atividades diversas, conta com canteiros e pavimentos em concreto pigmentado Sistema de iluminação Acesso para a rua / externo à Remanso Biblioteca / Sala de leitura Localizada no 3º pavimento da Remanso Sala de 7m², em formato quadrado, sem porta de acesso e livre para a circulação (corredor) do pavimento Mesa central, em formato redondo, com 4 - 5 cadeiras estofadas, 1 estante de livros grande, 1 cortina Piso de porcelanato cimentício Sistema de iluminação e forro de gesso Tomadas Ar condicionado Orientações de uso e convivência A Remanso preza por ser um espaço para encontros e trocas. Por isso, é essencial que colaboremos juntes para a manutenção de um espaço de solidariedade, colaboração e respeito. Os espaços devem ser mantidos limpos e organizados, pois as salas são compartilhadas e poderão ser utilizadas por outras pessoas depois de você. Procure utilizar os espaços de modo consciente, cuidando com o barulho, a manutenção e organização do espaço, respeitando os demais ocupantes. A Remanso fica numa área sobretudo residencial, razão pela qual é importante que atentemos ao excesso de barulho. Se você tiver dúvidas sobre o uso dos espaços, procure a Direção da Remanso! Estaremos sempre disponíveis para ajudar com tudo que estiver ao nosso alcance. Plantas baixas Segundo pavimento Terceiro pavimento
- Anotações à margem | Remanso
Anotações à margem CURADORIA Sátira Machado e Caroline Ferreira INÍCIO 1 de novembro de 2024 FIM 22 de fevereiro de 2025 À margem repousa o remanso, onde as areias acolhem os rabiscos das águas. E a curva de remanso lembra o caminho percorrido pelas introvisões de Oliveira Silveira, transmutadas em anotações poéticas. São notas cansadas de remar contra a correnteza. Mas conscientes – pela “adaga” e pela “degola” – da existência de fissuras criadoras e capazes de direcionar para enseadas de vida de muitas oliveiras. Em algum Dia da Consciência Negra as almas das notas serão livres ao encontrar um remanso seguro. Aportadas em águas vívidas, as anotações encontrarão infinitas margens. OXALÁ, que aconteça! Em oferenda, a Remanso – Instituto Cultural, o Instituto Oliveira Silveira e demais parcerias presenteiam o público com a exposição Anotações à Margem, que dá título a um dos livros de poesia de Oliveira Ferreira da Silveira (1941-2009) escritos ao longo de quase três décadas (1967-1994). O diálogo imagético com o poeta da consciência negra envolve os artistas Américo Souza, Cristina Rosa, Crystom Afronário, Estêvão da Fontoura, Maria Lídia Magliani, Pâmela Zorn, Thiago Madruga e Wagner Mello. Seguindo os passos de Oliveira da Silveira, reverenciamos o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. De forma original e inédita, pela primeira vez o 20 de novembro foi evocado pelo Grupo Palmares de Porto Alegre, em 1971. Especialmente em 2024, a data passa a ser feriado em todo Brasil através da Lei Federal 14.759/2023, em um reconhecimento do legado das populações e culturas afrodiaspóricas presentes no país. Sátira Machado & Caroline Ferreira ARTISTAS Américo, Cristina Rosa, Crystom Afronário, Estêvão da Fontoura, Maria Lídia Magliani, Oliveira Silveira, Pâmela Zorn, Thiago Madruga, Wagner Mello.
- AMIGOS DA REMANSO | Remanso
Ajude a Remanso a ampliar o acesso a arte para artistas. Contribua para a realização de exposições de artes visuais. AMIGOS DA REMANSO Juntos, podemos ampliar mais o acesso a arte, sob a perspectiva otimista da redução das desigualdades. COM O SEU APOIO, REALIZAMOS: > A concessão gratuita de um ateliê compartilhado para artistas; > O oferecimento de bolsa e de vale transporte para artistas; > Um auxílio para a compra de materiais artísticos; > Exposições de artes visuais gratuitas, trabalhando com e remunerando artistas vives; > Oportunidade para pesquisadora/es realizarem um projeto de 8 meses, recebendo uma bolsa e espaço de trabalho; > Oficinas gratuitas, abertas ao público; > Acolhimento de outras iniciativas, como bancas, encontros, reuniões, ensaios, etc. Programa de Concessão de Ateliê Saiba mais APOIE NOSSO TRABLHO SEJA AMIGO DA REMANSO > Nos ajude a ampliar o acesso à arte > Receba uma ecobag ao se inscrever > Ganhe 15% de desconto em nossos cursos Seja um parceiro da Remanso, contribuindo significativamente com a manutenção das nossas atividades clicando AQUI Amigo da Remanso R$ 100 R$ 100 Todo mês Contribua com a manutenção de nossas atividades. Válido até ser cancelado Selecionar Nos ajude a ampliar o acesso à arte Ganhe 15% de desconto em nossos cursos
- EXPOSIÇÃO ESTADO DE LIVUSIA | Remanso
ESTADO DE LIVUSIA FICHA TÉCNICA ARTISTA Virginia Di Lauro CURADORIA Gabriela Motta PRODUÇÃO Guilherme Mautone, Guilherme Leon & Bianca Lagasse TEXTO CURATORIAL E foram virando peixes, Virando conchas, Virando seixos, Virando areia, Prateada areia, Com lua cheia, E à beira-mar Chico Buarque, Mar e Lua , 1980. Interpretada por Cida Moreira. As cabeças e os olhos cerrados. As cavernas, as pedras e as entranhas do corpo. Galhos, folhas e raízes. Tripas, seios e líquidos. As imagens fotográficas laceradas e as figuras femininas. Tudo é corpo; ou melhor, corpa e, enquanto corpa, respira, sangra e produz calor. Diante das imagens concebidas por Virginia Di Lauro, o afã em nomear os signos, os traços ali presentes, vem acompanhado da ânsia em perceber a insuficiência do procedimento. Cada imagem se transforma em uma vertigem, um rastro de por onde a mente da artista vagueia na busca por formas, fusões, decomposições, atravessamentos, capazes de elaborar um sentido diante da ruína de nosso tempo. Vivemos a falência de projetos utópicos alicerçados em exploração de recursos humanos, naturais, espaciais e a urgência de imagens menos efêmeras para dar conta desses processos, imagens que nos proponham a invenção de mundos novos. Deter-se diante da imagem, extirpá-la, conhecer as linhas das figuras, multiplicar alquimicamente um sujeito, aumentar-lhe o pescoço, assomar matéria ao corpo da imagem, experimentar o gosto do ferro, lamber a chuva, pisar a terra com os pés descalços, repetir a própria face até estranhar-se, até revelar-se infinita. Esses procedimentos aparecem nas fotografias, objetos, vídeos, pinturas, produzidas por Virgínia para tecer histórias visuais nas quais figuras femininas protagonizam narrativas em ebulição. Viver na sua intensidade é tenso, ela parece nos dizer. Reconhecer-se parte e não aparte do mundo faz do mundo a própria carne. Cenas noturnas, florestas, cavernas, fossos, grutas, abismos, são as circunstâncias em que estas personagens se encontram, transformando-se, por vezes, elas mesmas em estruturas arquitetônicas. No caso dos trabalhos em fotografia, por exemplo, Virginia parte quase sempre de imagens de seu próprio corpo (autorretratos, poderíamos dizer?) para, através da manipulação das imagens e de interferências sobre o papel, sugerir a materialização da massa informe do delírio, dos sonhos, dos medos e desejos que nos constituem. Pesadelos ainda são sonhos, ambientes que nos habitam, desalinhando as costuras dos dias em outras tramas. Nesse processo de construção de mundos, os títulos das obras participam da elaboração de sentidos dos trabalhos, reverberando em texto a atmosfera das imagens. “Olhando o céu ruir, atravessando o medo”; “Escuta, algo cresce na atmosfera estranha dos tempos”; “Também no caos, escutava, gestava, crescia”; “Viver era uma ferida aberta” são alguns desses nomes misteriosamente literários que abraçam as imagens. Em uma dessas fotografias, “Sob o céu de maio”, três figuras femininas sentadas em círculo, parecem sustentar com as cabeças a parte superior da imagem. Uma espécie de coluna vertebral externa estrutura cada figura, como raízes a crescer para fora da terra. Fios delicados conectam olhos e bocas dessa(s) mulher(es), cujos braços repousam ora no colo, ora ao lado do corpo. O repouso não é relaxamento, mas constância na missão de suspender o céu. Reminiscências da enchente encharcam a lembrança dessa vivência, mas – como diria Manoel de Barros – chovendo no futuro. A Livusia que dá nome à exposição é daquelas palavras insubstituíveis. Confusão? Perigo? Agitação? Bagunça? Fantasma? Tudo junto? – não há sinônimo suficiente, pois só ela mesma abraça seus sentidos, inclusive pelo som que produz, pelo assovio que habita o encontro de suas letras finais, pela lisura da palavra que corre na boca feito cobra no sertão. Virginia Di Lauro incorpora em sua poética a livusia da existência, nos oferecendo em imagens um possível porvir alucinadamente individual e utopicamente coletivo. Gabriela K. Motta Pesquisadora, crítica e curadora em artes visuais Professora adjunta na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Departamento de Artes Visuais (UFRGS/DAV) REALIZAÇÃO Remanso - Instituto Cultural APOIO Café Musa Velutina Cabocla Cervejas Artesanais CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA Livre Estado de Livusia Estado de Livusia Estado de Livusia 1/47 TEXTO DA ARTISTA Sou de Barra do Choça, interior da Bahia. De uma região conhecida como sertão da ressaca. Essa é a terra que brotou meu corpo de vida. Cresci escutando estórias de mistérios, assombrações, encantarias, sempre ao redor de muitas mulheres. Uma delas, Dona Clara, com mais de cem anos, contava-me do tempo dentro de uma bacia d'água. Tudo isso – e mais um tanto – inscreveu-se em mim, desde a infância. Construía-se em mim, assim, meu imaginário; e, acredito, que também o de muitos tantos daquela nossa cidade e região. Primeiro a escuta, a presença, a curiosidade e a imaginação brotando a infância. Depois, veio a palavra nos livros das bibliotecas de escola, a poesia apresentada por minha mãe, os desenhos nos versos das impressões de provas escolares. De minha vó, veio a relação com as linhas e os nós, as manualidades, o plantar na terra, as brincadeiras que fazíamos com as sombras das mãos sobre a parede sempre que ficávamos sem energia. Daí veio também a costura, o hábito de contar os sonhos dormidos pela manhã, seus ensinamentos de olhar o céu, a natureza, caminhar sobre pedras escorregadias. E, talvez o mais importante: o pisar devagar. Das mulheres aprendi a estar viva. E a construir caminhos. Mas não só; embora tudo que com elas aprendi não caberia numa estrofe. Meu trabalho artístico é atravessado, afetado, por todo esse antes que me acompanha presente até hoje, onde a realidade se entrecruza na ficção. Através do onírico, da imaginação, dos acontecimentos e afecções cotidianas, do espantoso da natureza e das nossas emoções humanas. A partir daí, teço possíveis de criação e encantaria. Em meu trabalho, emprego, sobretudo, o corpo e o feminino, que variam entre suporte e temática. Embora sempre como fonte geradora de outros corpos, atmosferas, livusias, mutações e modificações. Por estes caminhos, questiono ao meu modo as normas estabelecidas sobre o corpo e sobre nossas relações com a vida na contemporaneidade, assolada pelo capitalismo e pelos moralismos patriarcais que distorcem nossos sentidos, descolando-nos e distanciando-nos das múltiplas possibilidades de tecer o bem-viver e de sonhar outras imagens que nos permitam atravessar os desastres iminentes. Nas minhas imagens – seja por meio da pintura, do desenho, da fotografia ou do vídeo – tateio atmosferas onde o corpo, sobretudo da mulher, pode apenas ser e estar. Seja entre ou seja fundida aos elementos da natureza; ou aos que sugerem tais elementos, ou numa situação caótica, erótica, estranha, inquietante, assombrosa. Ou, então, solitária, de descanso, onde o corpo flutua. Mas também num fundo longe e escuro: vazio. O corpo, em minhas imagens, pode atravessar o terror, a violência, o desastre, mas também dançar no caos, relacionando-se com o estranho que é ser o que ele é, um corpo, entre a vida e a morte, modificando-se, podendo ser muito, sem receios. Meu processo artístico se dá no encontro de possibilidades que a matéria, o corpo, o espaço físico e o digital me apresentam. Meu trabalho é, em todos os sentidos, insubmisso e insurgente. Cruzo diferentes linguagens, técnicas e processos artísticos como um caminho de experimentação e de liberdade, de composições e de possibilidades. Nele, invoco interferências fotográficas, digitais e manuais nas imagens; trabalho com a pintura, a performance, o vídeo, a palavra e a construção do que chamo de objetos-coisas-máscaras. As interferências fotográficas acontecem no depois do ato fotográfico ou do registro da performance, da cena. É todo antes que me guia quando a imagem está impressa. A fotografia em meu processo é um ponto de encontro dos outros meios que utilizo. Ela, para mim, afeta e é afetada pelos objetos-coisas-máscaras, pela pintura e pelo desenho, pelo vídeo, pela palavra e vice-versa. Todos estes processos e práticas artísticas vão construindo tessituras que se atravessam, seja no corpo da matéria, no ato, ou subjetivamente, movendo a poética de minha pesquisa e produção. Virginia Di Lauro LISTA DE OBRAS Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). rasurada - nem tudo em nenhum lugar - sonho n°6 - matéria coisa - atmosfera repartida , 2024. Série escuta, algo cresce na atmosfera estranha dos tempos . Quadríptico. Acrílica, pastel oleoso e ranhura sobre impressão fotográfica. 10 x 15 cm (cada). Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonho n°5 , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 10 x 15 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonho n°7 - labiríntica , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 15 x 10 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Tornada , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 15 x 10 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonho n°2, cabeça , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 15 x 10 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonho n°, 2024 . Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 15 x 10 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonho n°10 , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 10 x 15 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). o movimento causava abertura , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 15 x 20 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonho n°4 sob o refugo sonhando águas , 2024. Acrílica e plástico sobre impressão fotográfica. 10 x 15 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). também no caos, escutava, gestava, crescia , 2024. Tríptico. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 10 x 15 cm (cada). Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). passagens , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 31 x 40 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). matéria flutuante , 2024. Acrílica, ranhura e plástico sobre impressão fotográfica. 31 x 40 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). viver era uma ferida aberta , 2024. Ranhura, acrílica, plástico, silicone e terra sobre impressão fotográfica. 34 x 40 x 1,04 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). era feita de muitas camadas, algo brilhava na noite de seus olhos , 2024. Ranhura e acrílica sobre impressão fotográfica. 31 x 42 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). escutar no chão o ritmo do corpo , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 31 x 45 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). inadequadas montada na noite , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 24 x 31 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sob o céu de maio , 2024. Acrílica, ranhura e plástico sobre impressão fotográfica. 30,05 x 49 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). olhando o céu ruir, atravessando o medo , 2024. Acrílica, ranhura e plástico sobre impressão fotográfica. 31 x 31 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). n°3, terráqueas 2100 , 2024. Ranhura e acrílica sobre impressão fotográfica com manipulação digital anterior, e papel kraft. 29 x 21 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). n°4, segurando o chão em dimensões contrárias I , 2024. Ranhura, silicone e acrílica sobre impressão fotográfica com manipulação digital anterior, e papel kraft. 29 x 21 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Objeto não identificado, flutua na noite alada , 2024. Ranhura, acrílica e plástico sobre impressão fotográfica com manipulação digital anterior. 34 x 15 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Na boca do monte, plantava seu corpo numa coreografia aparentemente inerte – n°1 : Terreno sujeito a inundação , 2024. Ranhura, acrílica e plástico sobre impressão fotográfica com manipulação digital anterior. 22 x 58 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). no ninho das palavras, paria raízes n°2: Invólucro solar , 2024. Ranhura e acrílica sobre impressão fotográfica com manipulação digital anterior, e papel kraft. 29 x 21 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). no ninho das palavras, paria raízes - n°1: Invólucro lunar , 2024. Ranhura e acrílica sobre impressão fotográfica com manipulação digital anterior, e papel kraft. 29 x 21 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). reminiscência da atmosfera noturna da terra em 2021 | n°2 - noturnas coreografavam o silêncio devagar , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica de película corroída por atrito e água, com manipulação digital anterior. 20 x 21 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). reminiscência da atmosfera noturna da terra em 2021 | n°5 - tecendo o chão , 2024. Acrílica, silicone e ranhura sobre impressão fotográfica de película corroída por atrito e água, com manipulação digital anterior. 20 x 21 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). flutuantes não identificados , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica, com manipulação digital anterior. 21 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). dimensões contrárias , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 21 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). dessas coisas que nos escapam e se espalham mas não têm nome , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 21 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). um bicho sem nome , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica. 21 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). entressonho , 2024. Acrílica e ranhura sobre impressão fotográfica, com manipulação digital anterior. 21 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). reminiscência , 2024. Acrílica sobre papel. 30 x 42 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). tecitura / Realinhando a vida , 2024. Acrílica sobre papel. 30 x 42 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). parecia que chocava um ovo no coração , 2024. Acrílica e grafite sobre papel. 42 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). nem tudo , 2024. Acrílica e grafite sobre papel. 42 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). fundidas / Corpo canal de passar , 2024. Acrílica e grafite sobre papel. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). flutuante , 2024. Acrílica sobre papel. 42 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). retroalimentando as emoções , 2024. Acrílica e grafite sobre papel. 30 x 42 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). escutar com os olhos , 2024. Acrílica sobre papel. 42 x 30 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Atravessando o terror através dos sonhos - uma guardando o sonho da outra no chocalho , 2024. Acrílica sobre papel paraná. 97 x 66 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Atravessando o terror através dos sonhos , 2024. Acrílica sobre papel paraná. 40,05 x 51 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Atravessando o terror através dos sonhos - descansando num lugar seguro , 2024. Acrílica sobre papel paraná. 31,05 x 60 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Atravessando o terror através dos sonhos , 2024. Acrílica sobre papel paraná. 38 x 47,05 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Atravessando o terror através dos sonhos - seu chocalho aponta , 2024. Acrílica sobre papel paraná. 45 x 39 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). sonhando suas mãos sobre a terra , 2024. Acrílica, papel machê e talco industrial sobre tela. 95,03 x 89 x 9,03 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Estilhaço , 2024. Acrílica, espelho, vidro e moldura. 44,05 x 35 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Caderno da desorganização – guardador de entressonhos e outros riscos , 2024–2025. Técnica mista. 34 x 26 cm (aproximadamente). Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Começava assim: sonhava um rio em mim (...) , 2024–2025. 35 máscaras de papel machê, talco industrial e acrílica sobre veludo. 5,39 x 1,55 x 13 cm. Acervo da artista. Virginia Di Lauro (Barra do Choça, 1989). Adormecida em seu peito de gruta , 2024–2025. Objeto de papel machê, sacola, guardanapo, talco industrial, acrílica. 42 x 44 x 23 cm. Acervo da artista.
- Mitti Mendonça | Remanso
Mitti Mendonça 2025 Programa de Residência Artística Mitti Mendonça (São Leopoldo-RS, 1990) é artista têxtil, ilustradora, produtora cultural e arte-educadora. Sua produção na arte contemporânea investiga as historiografias negras em diáspora, as memórias afetivas a partir dos álbuns de família, os movimentos negros. Desta forma, elabora obras que refletem o afeto como lugar político, as práticas de resistência e a construção de identidades. É co-idealizadora da Feira Gráfica Garganta e da Residência Artística Garganta. E é criadora da Oficina Bordando Afetos. Cursou jornalismo e design, experiências que atravessam sua pesquisa e produção artística. Atualmente, mantém em Porto Alegre o Mão Negra Atelier, espaço de arte independente, loja e acervo de obras da artista. Assim como exposições em diálogo com artistas racializados e oficinas. Texto (entrega final do PPAC) Instagram Site pessoal Portfólio
- Rafael Muniz | Remanso
Rafael Muniz 2025 Programa de Residência Artística Rafael Muniz (Porto Alegre, RS, 1991) é umbandista-artista-pesquisador, Doutorando e Mestre em Poéticas Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Bacharel em Artes Visuais pela mesma instituição. É integrante do grupo de pesquisa Poéticas da Participação. Possui formação no curso Técnico em Edificações pelo Centro Tecnológico Estadual Parobé. Trabalha como desenhista, projetista, montador de exposições e instrutor de arte pelo Studio Muniz. Tem interesse em antropologia, etnografia e epistemologias de religiões de matrizes africanas no Brasil para pensar seu cruzamento com o campo da arte. Sua poética articula a linguagem presente nas Umbandas, Quimbandas e na construção civil em procedimentos como fotografia, desenho, vídeo e instalação. Participou de exposições individuais e coletivas, nacionais e internacionais, da Zero Residência Artística em Pelotas (2024), contemplado no edital Multilinguagens Paulo Gustavo (2023), I e II Salão Costa Doce (2021 e 2022), Itaú Cultural Arte como Respiro (2020) e ganhador do Prêmio Maria Conceição Menegassi (2014). Texto (entrega final do PPAC) Instagram Site pessoal Portfólio
- Programa Expositivo | Remanso
Programa Expositivo > INCENTIVO À CIRCULAÇÃO DA ARTE CONTEMPORÂNEA > AMPLIAÇÃO DO ACESSO AOS ESPAÇOS DE DIFUSÃO ARTÍSTICA > POPULARIZAÇÃO DAS ARTES VISUAIS SOBRE Consiste em um programa de ações culturais, no segmento das artes visuais, realizado de modo estruturado, sistemático e continuado. A partir do Programa Expositivo se originam todas as exposições e mostras realizadas pela Remanso. Dado o caráter sistemático e continuado do programa, ele é orientado por um Regulamento Expositivo , documento que objetiva estabelecer os principais parâmetros para a realização de exposições, mostras e utilização dos espaços expositivos da Remanso. Abaixo, você encontra informações sobre as exposições atualmente em mostra no instituto, mas também sobre as exposições passadas. E, depois, você encontra o Regulamento Expositivo e um conjunto de materiais relacionados à submissão de propostas de exposição para a Remanso. POLÍTICA EXPOSITIVA De modo geral, a política expositiva da Remanso se fundamenta por meio das finalidades sociais, objetivos culturais e estruturação institucional. Mas também por parâmetros estabelecidos, por um lado, pelas práticas e dinâmicas do campo da arte contemporânea e, por outro lado, por critérios oriundos das políticas culturais realizadas em território nacional relacionadas com o direito universal à cultura e à arte e a ampliação do acesso aos modos de fazer, fruir, preservar e transmitir a cultura. Portanto, o Programa Expositivo da Remanso priorizará, sempre, aquelas propostas que estejam em consonância tanto com as dinâmicas e especificidades da arte contemporânea, quanto com critérios de ampliação de acesso às artes visuais. DOCUMENTOS PARA PROPOSTAS EXPOSITIVAS REGULAMENTO EXPOSITIVO COM ANEXOS PLANTA BAIXA COM METRAGEM E PAREDES RIDER TÉCNICO EXEMPLO DE PREENCHIMENTO DE PROJETO EXPOSITIVO PLANTA BAIXA VAZIA MODELO DE PROJETO EXPOSITIVO PERSPECTIVAS ARQUITETÔNICAS TIPOS DE EXPOSIÇÕES E MOSTRAS As exposições e mostras realizadas pela Remanso deverão, necessariamente, ser da seguinte natureza: exposições temporárias coletivas de artistas contemporâneos, vivos; exposições temporárias individuais de artistas contemporâneos, vivos; exposições temporárias de coletivos artísticos contemporâneos ainda em atividade; mostras documentais e retrospectivas temporárias, desde que relacionadas às artes visuais e, necessariamente, com apresentação de obras de arte ou resultados de produção artística de artistas contemporâneos, vivos; mostras temporárias com finalidades educativas e/ou acadêmicas, vinculadas à defesas de trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses em Poéticas Visuais (artes visuais) de universidades. CURADORIA & PROCESSOS CURATORIAIS A Remanso compreende a curadoria como um processo horizontal resultante de interesses de concepção e de pesquisa nas Artes Visuais, sempre pactuado e alinhado com artistas e/ ou suas fontes documentais, e não como um ofício ou uma disciplina especializada e, por esta razão, dotado de um objeto de investigação e manipulação específico. Nesse sentido, a curadoria se apresenta como processo de trabalho coletivo cujo escopo abrange ciclos de procedimentos técnicos, simbólicos e intelectuais relacionados com, no caso da Remanso, o estudo, o conhecimento e a difusão da arte contemporânea, seus suportes (técnicas, linguagens e processos), seus produtores (artistas) e seu meio (campo e sistema artístico). Razão pela qual o processo de curadoria envolve as competências de pesquisa e de divulgação da arte contemporânea, objetificando-a por meio de uma rede produtiva e de trabalho que envolve diferentes segmentos e trabalhadores culturais. Competem ao processo curatorial e, portanto, à ação pontual de curadoras/es: concepção, ideação temática, conceitual e artística de exposições; a realização comprovada de pesquisa no campo das artes visuais; a presentificação de um repertório de conhecimentos relacionados ao campo das artes visuais, seus artísticas e práticas; uma clareza e atenção em relação aos aspectos mediativos das exposições, sejam eles relacionados à arte-educação ou à acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência. EXPOGRAFIA A Remanso, seguindo o entendimento do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), concebe a expografia enquanto: atividade que visa à pesquisa de uma linguagem e de uma expressão fiel na tradução dos programas de uma exposição. Ela [a expografia] abrange aspectos de planejamento, metodológicos e técnicos para o desenvolvimento da concepção e a materialização da forma na comunicação com o público. (...) A escolha e apresentação de objetos que possam sustentar uma narrativa sobre determinado assunto são aspectos essenciais na criação de uma exposição. As seleções e as definições envolvidas neste processo apontam as ideias e as imagens desejadas e estabelecem, pelos sentidos, diálogos com o público. Isso pressupõe ter clareza quanto ao que fazer, para quem fazer e porque fazer e, ao mesmo tempo, planejar, representar e visualizar o resultado da montagem expositiva, antes de executada (IBRAM, 2023, d.s.p.). Considera-se, portanto, a expografia enquanto metodologia de planejamento e execução de exposições, determinando-se como: o resultado de uma pesquisa que procura traduzir o programa de concepção e ideação temática de uma exposição; uma tradução que procura materializar este programa expositivo, criando modos de comunicação com o público; um programa expositivo que envolve a escolha e apresentação de objetos, imagens e/ou textos, com a finalidade de sustentar uma narrativa sobre determinado tema ou conceito; um processo de trabalho que abrange aspectos de planejamento, metodologias e técnicas; um processo que demanda clareza sobre objetivos, justificativa e, sobretudo, público-alvo; e, por fim, um processo de trabalho que realiza o planejamento dos elementos desejados de modo a antecipar a visualização de uma exposição, antes de sua montagem e abertura oficial.





