Antes que a distância não exista mais
CURADORIA
Kelly Wendt
INÍCIO
6 de março de 2026
FIM
9 de maio de 2026

Em Antes que a distância não exista mais, os trabalhos operam a partir de um sulear (GONÇALVES et al., 2024),
em que se cria e produz a partir de experiências ao sul do sul, compartilhando imaginários fronteiriços por meio
de diferentes procedimentos. A observação, o deslocamento, o desenho e a escrita articulam experiências
diversas de mundo em produções que decorrem de práticas que extrapolam a estética do frio, e que ocorrem em
contato com a terra, a água, a palavra, a casa e a estrada. Das vivências em um lugar de extremos, onde o
mundo começa e termina, é possível, vertiginosamente, renovar a direção do olhar e encontrar outras rotas,
sentidos e formas de pensar e produzir arte que conectam-se a diferentes coordenadas poéticas, afetivas,
políticas e geográficas.
Cruzar fronteiras, adentrar campos, orientar-se e desorientar-se no vai e vem ao atravessar o sul do Rio Grande
do Sul. Busca-se em um pensamento poético próximo ao de artistas, como Hélio Fervenza, ou Maria Helena
Bernardes, pensar diferentes modos de estabelecer relações com os lugares por meio também de proposições
artísticas participativas, que pensam o encontro como a potencialidade da arte.
O que emerge desse território que se percorre e se encontra? O que fica depois que partimos e retornamos a um
lugar? Como medimos as distâncias do que foi sentido? Integrados à terra e a tudo que nela existe, estamos
aterrados em territórios cumulativos, à luz de Milton Santos (2008), que fala da soma das relações sociais e
afetivas que se estabelecem e se estratificam sobre eles. Territórios onde se tecem confluências pelos fios da
vida, dos corpos, das cercas, das costuras, dos desenhos, das passagens.
Em um tempo em que as relações parecem se achatar sob o peso da globalização, em que espaços e instantes
se comprimem pelos avanços tecnológicos, pelas urgências de uma sociedade produtivista e pela necessidade
de presença constante. Deste modo, Antes que a distância não exista mais propõe inventar um espaço de
contemplação e ação em um mundo que se torna, pouco a pouco, homogêneo, atentando para a pluralidade que
resiste e se evidencia nos modos de produzir arte a partir deste sul.
Referências
SANTOS, Milton. Técnica, Espaço, Tempo: Globalização e meio técnico-científico- informacional. São Paulo:
Editora da Universidade de São Paulo-SP, 2008.
GONÇALVES, Eduarda et al. Sulear. In: ROCHA, Eduardo; BELTRAME, Tais (org.). Verbolário da caminhografia
urbana. Pelotas: Editora Caseira, 2024. p. 127–128.
ARTISTAS
Bárbara Larruscahim; Humberto Levy; Pedro Parente; RAFA