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Inventário de cavalos

CURADORIA

Guilherme Bruschi

INÍCIO

9 de outubro de 2026

FIM

12 de dezembro de 2026

Se pudesse ter escolhido queria ter nascido cavalo. Eu não disse isso, mas agora escrevo. E você também não disse, mas agora lê. Quem o fez foi Clarice Lispector, peço emprestado esse seu desejo por ser cavalo porque compartilho dele. Existe na união dos trabalhos que aqui se apresentam um inventário de cavalos – no plural, porque cavalo pode ser muita coisa. Um símbolo de liberdade, desde pelo menos a era de ouro do Império Persa. Um ser intempestivo, desde que cavalo virou sinônimo de quem fala dando coice. Aquele que primeiro nos convidou a trotar, quando o campo se tornou mais vasto do que nosso caminhar lento conseguia dar conta.


Essa exposição se apresenta como um inventário porque cada artista aqui presente, em seu existir no mundo, se viu defronte cavalos que escolheu guardar, registrar, catalogar. Ou defronte cavalos que fizeram em si sua morada, e então seguiram fazendo o que sempre fizeram, mas com o cavalo no peito. Isso para dizer que os cavalos, quando não estão visíveis, ainda são audíveis. Eles pulsam nos peitos que ainda desejam. Mas inventário, também, porque dentro dessa palavra existe outra – inventar. A exposição se construiu a partir de um convite, você inventaria cavalos? Cada artista convidado, convidada e convidade revirou seus arquivos, seus cadernos, seus álbuns de fotografia, e apresenta aqui uma invenção do que cavalo pode ser. Cavalo-espírito, cavalo-encarcerado, cavalo-visitante, cavalo-algazarra, cavalo-desejo, cavalo-sonho, cavalo-imensidão...


Todos esses e outros tantos estão aí, mas o cavalo não pertence a lugar nenhum, ele é nômade. Reuni-los aqui não é se apossar deles, é negociar com eles. Negociar com o seu trote desterritorializado, que é um constante processo de territorialização em si mesmo. Trotar e fazer qualquer lugar ser o seu lugar, aqui e agora. Inventar cavalos foi um convite para conseguir nascer enquanto cavalo e existir na invenção de campos vastos para correr, trotar e saltar. Inventar cavalos para, nesse gesto, ampliar a imensidão do campo corrível, trotável e saltável. Inventá-los para se deixar levar pelo desejo.

ARTISTAS

Andréa Bertoletti, babel babel, clara pessoa, claudio moreira, Fernanda Padilha, gabriel bonfim, Geovane Almeida, Guilherme Bruschi, Igor de March, Jonas Queiroz Delgado, Juliano Ventura, Laura de Campos, Macaco Arte, nestor varela, Rafael Schultz, Raquel Stolf.

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